Crítica | Divertido, "Frozen 2" é extraordinário e supera o primeiro filme

A convite da Disney Brasil, assistimos em primeira mão a versão brasileira de "Frozen 2" - Foto: Divulgação

Personagens cativantes, flocos de gelo e uma animação belíssima que está  com uma canção grudada na mente dos espectadores há seis anos, Frozen é uma saga sobre descobertas. É uma história sobre entender seu lugar no mundo, o que faz de cada um especial, como as outras pessoas lidam com isso e, acima de tudo, fazer o bem com aquilo que temos de melhor. Em 2013, os estúdios Walt Disney faziam história com o lançamento de Frozen – Uma Aventura Congelante, cuja narrativa girava em torno das irmãs Anna e Elsa e suas aventuras para salvarem a si próprias e para salvarem o gélido reino de Arendelle. Além de ter levado para casa duas estatuetas do Oscar, o longa-metragem tornou-se a 11ª maior bilheteria de todos os tempos. 

Desde o anúncio da tão aguardada continuação de “Frozen 2”, muitos fãs, assim como eu, ficaram com o pé atrás em relação ao segundo filme; Afinal, são poucas as sequências que realmente conseguem capturar a essência dos filmes originais. Mas, o resultado dessa cuidadosa produção vai além do que esperávamos. É uma aventura mais impactante, instigante e interessante que a anterior em praticamente todos os seus aspectos. Desde a composição estética até a vibrante e tocante trilha sonora, a obra arquiteta um belíssimo coming-of-age que também traz uma nostálgica doçura para as telonas e a deturpa em prol de um suspense dramático que nos prende do começo ao fim.

No primeiro filme, Elsa (Taryn Szpilman no Brasil, Idina Menzel no original) está em uma jornada de auto-descobrimento. Após passar anos escondendo seus poderes, o que também causou um isolamento completo de sua irmã, ela descobre que a capacidade de manipular o gelo pode ser uma maldição, mas também a salvação, de acordo com a forma de uso. Ao final, ela aprende lições sobre si e termina em um lugar melhor, mas algo ficou faltando. A Rainha não está livre de verdade, ou para fazer a analogia com a versão em inglês, ainda não deixou as coisas seguirem seu rumo. 

Elsa, Anna, Kristoff, Olaf e Sven embarcam em uma nova aventura - Foto: Divulgação


O que antes era a busca por respostas sobre si, agora se transforma em uma jornada para encontrar o próprio lugar no mundo. Percebemos, logo de início, que o hino de libertação que permeia toda a trama do primeiro filme (e é pincelado aqui como uma lembrança das boas) era só o começo da jornada. O roteiro de Jennifer Lee, que retorna ao posto de diretora ao lado de Chris Buck, repetindo a parceria de sucesso do antecessor, se apoia nas bases muito bem firmadas na mente de todos para retornar ao passado, em uma história completamente conectada ao primeiro e uma continuação no melhor sentido possível da palavra.

Enquanto o primeiro Frozen era sobre o agora, o segundo fala do passado. A tradicional cena das irmãs pequenas que abre a animação pavimenta o caminho para uma verdadeira história de origem, na qual Elsa vai descobrir a verdade sobre a morte de seus pais e a origem de seus poderes, enquanto Anna (Erika Menezes por aqui, Kristen Bell em inglês), procura a própria identidade e, principalmente, fazer com que a irmã aprenda uma importante lição: por mais poderosa que ela seja, não vai conseguir fazer as coisas sozinha.

Um dos temas principais de Frozen 2, é a coragem. O ímpeto de Elsa em descobrir a verdade, o das duas irmãs em desbravarem o desconhecido e o proibido em busca das próprias origens, e o de Kristoff (Raphael Rossatto, Jonathan Groff) em encontrar as palavras certas para pedir sua amada em casamento, e por aí vai. Todos possuem um ponto de partida e chegada, com a jornada, por mais que esteja ligada à dupla de protagonistas, mudando todos eles.

Novos personagens confrontam com Elsa, Anna e sua turma em "Frozen 2" - Foto: Divulgação
Embarcando na aventura, Anna, Elsa, Kristoff, Olaf e a rena Sven, conhecem novos cenários e personagens são revelados, como a floresta encantada e uma antiga tribo, chamada Northuldra, que agora divide uma terra amaldiçoada com soldados de Arendelle – todos presos dentro da floresta por uma densa e inescapável neblina. Após descobrir que ambos os grupos viveram em desarmonia por mais de três décadas, ela jura libertá-los desse cárcere e, “de quebra”, ajudar seu próprio povo e desvendar os mistérios do passado que insistem em assombrar sua família.

Esses ares diferentes também permitem vislumbrar todo o talento dos animadores e da equipe de produção. Não é como se tivéssemos alguma dúvida disso, mas desta vez todos têm a chance de lidar com outros elementos além dos cristais de gelo. Temos fogo, vento, água e pedra. Sabendo o que deu certo no primeiro, é possível investir nisso de forma mais direta, mas também ousar. 

Elsa na floresta encantada - Foto: Divulgação
Elsa não é exatamente o que podemos chamar de “protagonista”; apesar da poderosa Rainha dividir um tempo de cena similar com o de Anna. Mas, o grande destaque da história, é o Olaf. Brincalhão e piadista, o querido boneco de neve está presente em todas as cenas do filme. Quando você menos espera, ele aparece e leva o público numa embalada conversa fofa, divertida e também desastrada. 
Olaf encara altas aventuras junto com Anna em "Frozen 2" - Foto: Divulgação

Por falar em Olaf, Frozen 2 não se supera só pela história, mas também na qualidade da adaptação feita pela dublagem brasileira. Fábio Porchat continua sendo um show a parte. Não que todos os outros não chamem a atenção, mas sim o oposto disso. É que a interpretação do ator e humorista como Olaf (Josh Gad no original) faz rir e chorar, muitas vezes ao mesmo tempo. Atenção para o momento em que ele reconta a história do primeiro filme, uma das melhores cenas de toda a projeção. Haha.

O grandalhão Kristoff, diferente do primeiro filme, aparece romântico e com um solo musical incrível em Não Sei Onde Estou (Lost in the Woods), embalado por arranjos fortes de guitarra e bateria, com uma letra dedicada a sua querida Anna. Por falar em música, a nova animação contém uma quantidade de musicais maior do que o primeiro filme, em sua trilha sonora. Deixo uma salva de palmas para os compositores e produtores que ficaram encarregados pela trilha, pois, cada música carrega um pouco da dramaticidade do filme de forma contagiante. 
Kristoff e Sven em uma das cenas de "Frozen 2" - Foto: Divulgação

Ainda sobre a trilha sonora, a candidata a hit da vez, e também uma provável vencedora do Oscar no ano que vem, é Minha Intuição, ou Into the Unknown no original, interpretada por Panic! At the Disco. É uma canção criada da mesma forma, feita para funcionar tanto como cena do filme quanto fora dele, e é forte o bastante para conseguir isso. Mais forte, entretanto, é Vem Mostrar (Show Yourself), cujos momentos representam, sim, o ponto de virada de Frozen 2 e uma das cenas mais belas de toda a projeção. Ela carrega consigo toda a força da trama que acompanhamos até ali, sendo a trilha da grande revelação pela qual Anna e Elsa procuraram ao longo de toda a hora anterior. Sendo assim, é o grande spoiler do filme e, como tal, não poderia servir como a linha de frente da trilha sonora do longa. Parabéns se você conseguir segurar a emoção.

Elsa durante a musica "Minha Intuição" - Foto: Divulgação


‘Frozen 2’ é uma daquelas continuações que não devem nada ao original; na verdade, ela consegue ultrapassá-lo em tudo a que pretende construir. É uma rara e belíssima sequência que nos apresenta a um mundo muito diferente – e muito mais inebriante. 

Mais do que sair cantarolando, os mais velhos sairão pensando, enquanto os mais novos estarão com os olhos brilhando por conta do que acabaram de ver. A nova história traz muito para todos os públicos e mostra que a magia não fica mais velha e batida com o tempo, mas acaba fortalecida com elementos novos e descobertas. A jornada de descobrimento é constante e quando os créditos sobem, a gente já começa a ficar ansioso pela próxima aventura. 

E pra finalizar, agradeço imensamente a agência Espaço Z e a Disney pelo belo convite. “Frozen 2” estreia no dia 2 de Janeiro nos cinemas brasileiros. 


NOTA 9.5



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Postado por Jefferson Victor

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