Encontro de Caboclinhos de Recife

Tradicional Encontro de Caboclinhos e Índios ganha novo endereço neste Carnaval

Na décima edição, brincantes se apresentarão na Praça do Arsenal



O décimo Encontro de Caboclinhos e Índios acontece nesta quarta (07/02), em novo endereço: a Praça do Arsenal. Ao todo, 18 Agremiações vão se apresentar a partir das 19h. "Será um espaço maior e com mais destaque para essa manifestação cultural e toda sua força e ancestralidade, de maneira que todos os detalhes das indumentárias e da musicalidade possam ser contemplados pelos foliões.", explicou Zezo Oliveira, assessor da Secretaria de Cultura e responsável pelo Encontro de Baques e o Encontro de Caboclinhos. No ano passado, as agremiações fizeram suas evoluções na Rua da Moeda.


Ordem das apresentações:
Caboclinhos Tabaiares de Recife
Tribo Indígena Oruba
Caboclinhos Canidé de São Lourenço da Mata
Caboclinhos Caripós Mirim
Tribo de Índios Tupiniquins
Tribo de Índios Canidé Brasileiro de Itaquitinga
Tribo Itapemirim
Tribo Indígena Flexa Negra de Recife
Caboclinhos Tupinambá de Jaboatão
Caboclinhos Canindé de Goiana
Caboclinhos Truka
Tribo de Índio Tupi Guarani
Caboclinhos Urubá
Caboclinhos 7 Flexas Mirim
Caboclinhos Coités
Caboclinhos Canidé de Camaragibe
Caboclinhos Tainá
Tapuias Canidé de Goiana

CABOCLINHOS
 O Caboclinho, também chamado de Tribo Indígena, é uma manifestação que tem origem na cultura indígena de Pernambuco. A espiritualidade está presente por meio dos cultos, como a pajelança, manifestação vinculada à religião dos antepassados. A maioria dos mestres e caboclos é ligado à Jurema. Entretanto, alguns grupos têm ligação com terreiros de Xangô e Umbanda.
Os caboclinhos têm em seu cortejo a presença do Porta-estandarte que abre o desfile, seguido por dois cordões de Caboclos e Caboclas. No centro da agremiação ficam o Cacique ou Cacica. Outros personagens presentes no desfile são o Pajé, o Matruá (uma espécie de feiteceiro), o Capitão e o Tenente (que chefiam as alas), os Perós (representando as crianças da tribo) e os Caboclos de Baque.
Sua apresentação é marcada pelo som forte das preacas (uma espécie de arco e flecha) que determinam o andamento rítmico do desfile. A música normalmente é instrumental. No Caboclinhos, é executada pelos maracás, surdo, flautas ou gaitas (também chamadas de inúbia), atabaques e caixa. Em alguns grupos são entoadas loas ou versos. Eles se apresentam com danças mais ritmadas, cheias de malemolência, com alguns passos que se assemelham aos executados ao som do frevo.
Título de Patrimônio – No dia 24 de novembro de 2016, os Caboclinhos foram agraciados com o título de Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan.

CURIOSIDADES
Caboclinhos – Agremiação carnavalesca e folguedo que existe de forma mais abundante em Pernambuco, mas também é registrada em Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.A primeira menção ao folguedo acontece em 1908, no livro Folk-Lore Pernambucano, de Pereira da CostaMário de Andrade, um dos líderes do movimento nacionalista da música brasileira de concerto, talvez tenha sido o primeiro estudioso a registrar o folguedo na década de 1920, porém, baseado em visitações no estado da Paraíba e no Rio Grande do Norte.Diversos estudiosos comungam com a crença de que a origem do caboclinho está diretamente ligada aos autos jesuíticos. Para tal, a maioria dos que escreveram sobre o folguedo cita o padre Fernão Cardim, que em 1584 relata a existência de uma dança realizada por crianças indígenas em homenagem a um padre visitante. Entretanto, é impossível disassociar o Caboclinho das influências ameríndias e africanas , além do culto religioso da Jurema.O Caboclinho Carijós é o mais antigo de Pernambuco, fundado em 1889.
Composição
Os grupos com maior número de participantes costumam se apresentar no desfile competitivo do carnaval recifense com cerca de 100 a 130 pessoas e com uma média de 40 a 50 pessoas nas demais apresentações. De modo geral, os personagens são: um Porta-estandarte (ou porta-bandeira), de três a quatro músicos, um casal de caciques, dois  puxantes(Jupi e Agaci), dois contra-guias, dois cordões de caboclos e caboclas, dois puxantes mirins, dois cordões de curumins (de 20 a 40 crianças), um curandeiro(também chamado pajé ou feiticeiro), rei e rainha, de duas a seis garotas de frente(também chamadas de ‘destaque’), dois Perós (crianças). Os cordões podem ter subdivisões: caboclos (as) flecheiras (de 20 a 40 adultos), caboclas lanceiras (de 20 a 60).  No desfile competitivo cada grupo deve apresentar também a sua diretoria administrativa (10 pessoas), que se coloca à frente da agremiação.
Evolução
As danças variam de um grupo para outro, mas há três momentos específicos: Guerra, Baião e Perré. Alguns grupos apresentam ainda o Toré ou Macumba, o Traidor (destaque para as preacas – arco e flexa – marcando o ritmo), a Emboscada (disputa de dois grupos) e Aldeia (dança em círculo). Todos do grupo danças, mesmo os músicos, ainda que em movimentos não ensaiado.
Indumentárias
Adereços de cabeça, atacas (de pé e mão), saiotes e tangas, são confeccionados com penas (de ema ou outras aves), lantejoulas, contas, búzios, espelhos, vidrilhos, cordas. Os objetos utilizados são: Estandarte, Apitos de madeira ou metal (usados pelos puxantes), Machadinha, ou Machadim, Arco e Flecha (Preaca), Lança. Homem veste saiote e túnica ou peitilho; mulher veste tanga e peitilho; os demais adereços são: Cocar (ou cocal), Diadema (ou capacete (que pesa de 10 a 15 kg.), atacas (usadas nos pulsos e tornozelos), colares.
Concurso
Durante o Carnaval, a Prefeitura do Recife realiza um concurso para agremiações Carnavalescas. Os caboclinhos irão desfilar no dia 25, na Avenida Nossa Senhora do Carmo e em polos descentralizados. As premiações variam entre R$ 1,5 mil e R$ 20 mil Reais (A depender da colocação e em qual dos grupos – Especial, Grupo 1, Grupo 2 ou Grupo de Acesso).
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Escrito por silvioromerojornalista

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