PEMEX prestes a declarar falência sob a administração de López Obrador

Andrés Manuel López Obrador, durante uma mensagem no 
Palácio Nacional da Cidade do México (Efe)

Sete enormes problemas que explicam o desastre da Petróleos Mexicanos

A pérola mais valiosa do Estado mexicano continua em queda livre, a ponto de a Petróleos Mexicanos ( Pemex ) estar prestes a declarar falência, quando é a fonte inesgotável de recursos públicos há décadas.

A PEMEX corre o risco de declarar seus credores inadimplentes e "talvez não consiga continuar operando", reconhece a empresa estatal em seu último relatório anual enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

Quando ele chegou ao governo, em dezembro de 2018, o presidente Andrés Manuel López Obrador ansiava por repensar a PEMEX para torná-la uma História de Sucesso e uma copiosa Fonte de Recursos para seus Programas Sociais.

Esse sonho se transformou em um pesadelo para o presidente, mas o que aconteceu com a PEMEX ?

Por que hoje é a Empresa de Petróleo mais endividada do Mundo e seus títulos são Lixo para alguns Investidores ?

Rosanety Barrios e Carlos Huerta, analistas com décadas de experiência no setor energético mexicano, explicam à Efe os sete principais problemas que a PEMEX enfrenta.

1. PERDAS HISTÓRICAS

A Companhia Petrolífera perdeu 23.913 Milhões de Dólares no primeiro Trimestre de 2020, um número mais de quinze vezes maior que o mesmo período do ano anterior.

Em apenas três meses, a PEMEX perdeu mais de todo o ano de 2019, quando registrou perdas de US$ 18,367 milhões, quase o dobro dos US$ 9,575 milhões que também perdeu em 2018.

A empresa tem dois problemas Estruturais e um Conjuntural, diz Huerta, que era consultor da Economia Política de Energia no Conselho de Administração da PEMEX.

“A primeira é a drenagem fiscal-financeira que sangrou a PEMEX por quase quatro décadas para financiar os Gastos do Governo; segundo, a queda na Produção Nacional de Petróleo e terceiro, o Colapso dos Preços do Petróleo ", explica ele.

2. A CRISE DO PETRÓLEO

Aos problemas históricos são adicionados a crise do coronavírus SARS-CoV-2 e o conflito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP +), que levou a um excesso de oferta e sub-demanda do hidrocarboneto.

Como resultado, o mix de Petróleo Mexicano atingiu duas baixas recordes no mês passado: um preço negativo de US$-2,37 por barril em 20 de abril e um de US$ 6,55 em 27 de Abril.

Embora tenha se recuperado para US$ 21,95 por unidade em seu último dia, isso é 61,27% inferior aos US$ 56,67 do início do ano.

"Nesse contexto, a Pemex estará sob considerável fragilidade financeira, porque dificilmente poderá recuperar seus custos de produção e será impossível cumprir suas obrigações financeiras", alerta Huerta.

3. OS GRADUADORES

Nesse contexto, as três principais Agências Internacionais rebaixaram o rating da PEMEX nos últimos meses, com um grau de especulação da Moody's e Fitch Ratings e um grau de investimento da Standard & Poor's.

"O que as agências de rating estão dizendo é que a Pemex não tem, com a situação operacional que enfrenta, a possibilidade de garantir que é capaz de pagar sua dívida", diz Barrios, chefe da Unidade de Política de Transformação Industrial da Subsecretaria de Hidrocarbonetos.

4. DÍVIDA

Esses fatores complicam o pagamento da dívida financeira da PEMEX, que alcançou US$ 104,8 Bilhões no primeiro Trimestre do ano, 24,2% a mais do que no final de 2019.

O Passivo total aumentou 7,8%, para US$ 179.541 milhões.

A Companhia Petrolífera atribui isso à valorização do dólar, cotada a 23,51 pesos nos primeiros três meses de 2020, o que causou uma perda cambial de 469,2 Bilhões de pesos (19,957 milhões de dólares).

5. OS CUSTOS

Os números da PEMEX refletem que ele perde US$ 22 Brutos por cada barril produzido e US$ 12 por cada refinado, diz Barrios.

Além disso, diz o analista, o relatório da SEC mostra uma vida útil remanescente de 11,7 anos para os campos da empresa; portanto, seria necessário "muito dramaticamente" para fortalecer sua exploração.

"É fato que o custo de produção da Pemex está subindo e não pode cair porque os campos mais importantes são os que estão em fase de exaustão, portanto, sua exploração está se tornando mais cara"

6. A ESTRATÉGIA OFICIAL

Apesar desses números, o Governo López Obrador se vangloriava do aumento de 3,7% na produção de petróleo bruto e condensados ​​da PEMEX, para 1,759 milhão de barris por dia (Mdb).

López Obrador prometeu que em Maio a Companhia Petrolífera refinará um Milhão de barris por dia.

Da mesma forma, a PEMEX tem apoio do governo federal de até 156.158 milhões de pesos (mais de 6.400 milhões de dólares) até 2020, segundo analistas.

Mas, criticando que "a Pemex é forçada a produzir independentemente da lucratividade", Barrios considera que essa não é a direção certa.

Enquanto isso, Huerta garante que o atual plano de negócios da PEMEX é "agora apenas um documento histórico".

"Teremos que repensar uma nova estratégia de petróleo em um cenário econômico e energético totalmente diferente e adverso"
7. O RESGATE

Analistas concluem: o Governo Federal terá que resgatar a PEMEX.

Com uma perspectiva "muito sombria", Huerta percebe que o Governo e a Empresa precisarão de empréstimos para cumprir suas obrigações financeiras.

O Problema, alerta Barrios, é a estreita relação entre as Finanças Públicas do México e as da PEMEX.

"Agora teremos que resgatá-lo e isso comprometerá recursos do tesouro nacional no pior momento da história, exatamente quando o PIB estiver em queda, quando a arrecadação de impostos estiver baixa e quando for necessário o apoio direto aos cidadãos".

Uma tempestade perfeita sobre a PEMEX em um momento histórico sem precedentes pelo preço do Petróleo e à beira de uma recessão econômica de dimensões ainda imprevisíveis para o México e o Mundo.
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Postado por MARIO PINHO

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