Celebrações do 13 de Maio em Fátima mantêm-se sem peregrinos, diz Bispo

PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA


A 6 de abril, o Santuário de Fátima anunciou que a Peregrinação Internacional Aniversária de Maio seria este ano celebrada sem a presença física de peregrinos, devido à covid-19. Assim, vão realizar-se "as principais celebrações na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que serão presididas pelo cardeal D. António Marto e transmitidas pelos meios de comunicação social e digital".

Contudo, a história que parecia bem definida desde início sofreu uma reviravolta quando a Ministra da Saúde, Marta Temido, referiu em entrevista à SIC, a 2 de Maio, que as celebrações do 13 de maio, em Fátima, seriam "uma possibilidade", desde que fossem uma opção dos organizadores e se cumprissem as regras sanitárias.

Na conferência diária da DGS, no dia seguinte, porém, a Ministra deixou clara a posição assumida, salientando a "diferença entre peregrinos e celebrantes".

"Nós estamos obviamente totalmente disponíveis para apoiar a Igreja Católica, ajudando à definição daquilo que sejam as regras específicas para essas celebrações, mas não se confundam celebrantes com peregrinos. Da mesma forma que noutros contextos nenhum evento aconteceu da exata forma como tinha acontecido antes. Penso que estará clara a ideia de que não há aqui nenhuma situação diferente daquela que estava prevista e prudentemente definida pela nossa Igreja", frisou.

O Santuário de Fátima referiu ter sido "apanhado de surpresa" pelas "declarações do Governo" sobre as celebrações religiosas de 12 e 13 de Maio, tendo sido reunidos "todos os elementos para tomar uma posição”, que acabou por ser divulgada na tarde de 3 de maio. Depois de discutido o assunto, nada mudou: o 13 de Maio no Santuário de Fátima será celebrado sem peregrinos.

Ao SAPO24- Portal local, D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e Cardeal Patriarca de Lisboa, refere que "a decisão sobre o 13 de Maio em Fátima foi tomada pelo respetivo Bispo Diocesano, Cardeal D. António Marto, a única autoridade competente para a tomar", acrescentando ainda que concorda "plenamente" com a medida. "Com as autoridades públicas, seguiremos o evoluir da situação [da pandemia], com toda a cautela que o Papa recomendou. O que importa é o bem das pessoas, sempre e prioritariamente", frisou.

Mas a decisão está longe de ser consensual, sobretudo depois das exceções concedidas ao 25 de Abril e ao 1.º de Maio — com celebrações bastante distintas entre si.

É preciso "ter a cabeça no site e pensar no contágio".

Fiéis em todo o país aguardavam com expectativa a resposta final do Santuário quanto à realização das celebrações. A medida foi recebida das mais diversas formas: há quem concorde e quem considere que a Igreja está a abandonar as pessoas, com as suas "portas fechadas", ou que o Estado está a fazer distinções entre celebrações. Estas são as vozes dos peregrinos sobre um dia que vai ficar na história de Fátima.

"NÃO PODEMOS ARRISCAR-NOS A QUE TODA A GENTE QUEIRA IR PARA LÁ"

Carla Rocha é voluntária no Santuário de Fátima há 14 anos e, ao SAPO24, conta ter acolhido a decisão com tristeza mas sabendo que é o mais acertado. "Fátima é uma parte de mim, da minha história, algumas das grandes decisões foram tomadas ou lá ou com o coração em oração. Como voluntária no serviço de acolhimento/informações a ligação fica ainda mais fortalecida pelas vivências dos peregrinos", começa por contar.

"A decisão do Santuário, embora cause tristeza, é no meu entender a mais correta, porque não podemos arriscar-nos a que toda a gente queira ir para lá, é um lugar em que não é fácil prever quem vai, nem em que condições. Por isso, a medida só mostra cuidado e preocupação com os outros. Não terá sido fácil para ninguém tomar essa decisão, mas é de louvar", salienta Carla.

Filipe Ressurreição, acólito e catequista na Paróquia de S. José de Algueirão, Mem Martins e Mercês, conta também a sua experiência ao SAPO24, enquanto peregrino de Fátima.

"A IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA TEM SIDO EXEMPLAR NESTA BATALHA CONTRA O VÍRUS. FÁTIMA NÃO PODERIA DEIXAR DE O SER"

"A minha relação com Fátima começou muito cedo. Desde pequeno que me lembro de ir com a família à Cova de Iria. Ao longo dos anos, foi-se tornando mais forte: eu gosto de lá ir, de lá estar. Só porque sim. Já a minha relação com as peregrinações anuais começou bastante tarde. Lembro-me de com 10/12 anos ficar acordado só para ver a transmissão da Procissão de Velas e, no dia 13, acordava à pressa para poder assistir à Eucaristia e à Procissão do Adeus. No entanto, digo que foi tarde porque a primeira vez que estive presente no Santuário numa peregrinação anual do 13 de Maio foi em 2017, no centenário. A partir daí, voltei em 2019, com a minha mãe e uma amiga nossa, que foram pela primeira vez, e tencionava voltar este ano", diz.

Apensar da vontade em estar presente, vê, tal como Carla, a decisão como "a mais acertada e mais responsável".
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Postado por MARIO

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