Globo se esconde atrás do Dr. Drauzio no caso da trans presa

Suzy de Oliveira (estuprado, estrangulado e ocultado o cadáver de um menino de 9 anos) despertou debate nacional a respeito de solidariedade a presidiários
Foto: TV Globo / Blog Sala de TV

Descoberta do delito ( estupro e assassinato de uma criança de 9 anos) cometido pela entrevistada no Fantástico fez muitos telespectadores irem da solidariedade à revolta.

Devemos sentir empatia somente por quem cometeu crimes leves ou podemos nos solidarizar também com condenados por atos hediondos? Esse é o dilema suscitado pela revelação, a partir de apuração do site O Antagonista, de que a detenta Suzy de Oliveira (que se chama Rafael Tadeu de Oliveira dos Santos) teria estuprado, estrangulado e ocultado o cadáver de um menino de 9 anos. 

No domingo (1.º), ela provocou comoção nacional ao manifestar sua solidão no presídio em entrevista a Drauzio Varella, no Fantástico. O abraço paternal do médico viralizou nas redes sociais e gerou inúmeras matérias na imprensa. Na última semana, Suzy recebeu centenas de cartas e doações em dinheiro por meio de uma vaquinha virtual. Ninguém sabia detalhes de sua condenação. 

Assim que portais de notícias repercutiram a notícia do crime, sugiram inúmeras mensagens a respeito na web e o nome de Suzy liderou o ranking de assuntos do Twitter. De um lado, gente disposta a reafirmar solidariedade a Suzy. Do outro, pessoas chocadas com o horror por trás da aparência frágil da presidiária — e, consequentemente, o fortalecimento do preconceito e do ódio contra transexuais e detentos.

Unânime, apenas a aprovação ao gesto humanitário de Drauzio Varella. Ele não conhecia a ficha criminal de Suzy no momento da gravação. "Não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz", esclareceu o médico em nota à imprensa. Antes disso, ele havia manifestado surpresa com a repercussão gigantesca do abraço. Chegaram a sugerir que fosse lançado candidato à Presidência em 2022. Varella rejeita essa idolatria tola.

O especialista em saúde do Fantástico não tinha a obrigação de questionar Suzy, mas a Globo, sim. A informação era relevante. Tanto assim que sua revelação, agora, influencia a formação de opinião dos telespectadores. Ainda que não tenha existido a intenção de manipular, a edição induziu o público a se comover e sentir compaixão. Neste caso, a omissão de um dado prejudicou a precisão jornalística. E, no jornalismo profissional, não deve existir espaço para dúvida ou incongruência. Em outras reportagens do gênero, na Globo, houve a citação dos crimes dos entrevistados.

Na edição de ontem (8), o Fantástico apresentou uma explicação. "Os crimes das entrevistadas não foram mencionados porque este não era o objetivo", disse Tadeu Schmidt. "O quadro gerou muita empatia no público, mas também críticas exatamente por não mencionar os crimes", complementou Poliana Abritta. A seguir, a apresentadora informou que o programa apoiava integralmente a nota emitida por Drauzio Varella.

Nela, o médico diz: "Por razões éticas, não busco saber o que de errado fizeram. Sigo essa atitude para cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico. E para não cair na tentação de traí-lo, atendendo apenas aqueles que cometeram crimes leves. No quadro do Fantástico, segui os mesmos princípios".

Drauzio Varella fez o juramento a Hipócrates; a Globo, não. A emissora errou antes, ao não revelar os delitos das entrevistadas, e erra novamente agora ao usar o médico como escudo contra as contestações ao seu jornalismo.


Bruna Paz Castro, Suzy e Drauzio Varella (Foto: Reprodução)

A advogada da detenta trans Suzy, Bruna Paz Castro se manifestou, nesta segunda-feira (9), após a repercussão da reportagem de Drauzio Varella para o 'Fantástico', da Globo, no último dia 1. A direita ficou revoltada com o abraço dado a ela pelo médico. O programa divulgou uma nota oficial dele sobre os boatos em torno de Suzy. Na nota, Varella afirma que não perguntou às detentas sobre os delitos cometidos pois não era o foco da reportagem. "Sou médico, não juiz", acrescentou. 

“Hoje (9 de março) estive no presídio , conversei com ela, expliquei para ela a situação, a repercussão do caso dela. A mesma não teve problema algum em relatar o artigo do crime dela, em relatar o nome de batismo dela, até mesmo porque Suzy já está em cumprimento de pena imposta numa sentença”, contou a advogada Bruna Castro. Seu relato foi publicado no Catraca Livre.

“O artigo que a Suzy cometeu em 2010 está contigo no código penal brasileiro, que é o artigo 217 a que é ter conjunção carnal ou a prática do ato libidinoso e o 121 que é o homicídio. O nome de batismo da Syzy é Rafael Tadeu de Oliveira dos Santos. Esclareço que não compete nenhum tipo de julgamento, agora, perante o crime dela. O julgamento já aconteceu em 2013, ela já foi julgada em um Juri Popular. Já houve um julgamento e uma sentença. Hoje ela está na fase de cumprimento de sentença. A sua pena passa de 30 anos, ela já cumpriu parte, mais ou menos uns 10 anos”, relatou a advogada.

Jeff Benício
fonte: www.terra.com.br
e https://www.brasil247.com/
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Postado por MARIO

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