Selic baixa estimula mercado de ações, IPO e expansão do crédito



Especialista diz que os principais efeitos da queda dos juros são a migração para investimentos de risco, crescimento do mercado de ações e expansão do crédito

"Com a queda da Selic e à medida que esta se aproxima do índice da inflação, caderneta de poupança e renda fixa tornam-se muito desinteressantes, pois passam a apresentar rendimento real próximo de zero", alerta o especialista Thiago Montemezzo, sócio da Messem, eleita este ano o melhor escritório de investimentos do Brasil pela XP. Por isso, os investidores devem procurar os chamados investimentos de risco, que, na verdade, poucas ameaças apresentam quando realizados com critério e conhecimento.

Alternativa atrativa é o mercado de ações. Como exemplo, Thiago cita o Banco do Brasil, que deverá pagar dividendos de 6% em 2019, já acima da Selic. "Juros mais baixos implicam mudanças na cultura dos investidores, que estavam acostumados a receber taxas elevadas de rendimento da renda fixa no País", pondera o especialista, citando casos de pessoas que tinham renda de 18% ao ano com o CDB (Certificado de Depósito Bancário).

Para investir com segurança no mercado mobiliário, Thiago observa ser necessário ter conhecimento e estudar os cenários. "Porém, se pessoa não entende de ações, deve procurar alguém capacitado para ajudá-la, um assessor de investimentos, que analisará seu perfil, mostrará as alternativas de ações e a ajudará a montar uma carteira rentável". Além disso, há outras maneiras de se investir na bolsa sem ter de escolher ações de uma ou mais empresas. Pode-se investir no Ibovespa, por exemplo. Esta é uma forma de comprar toda a cesta de ações da casa, por meio de apenas um papel.

Expansão do crédito

"Com a redução das taxas de juros, também deveremos ver mais pessoas e empresas contratando crédito. Para isso, esperamos que as taxas reais realmente sejam reduzidas, o que já se observa nos empréstimos às empresas e no mercado imobiliário", salienta Thiago.

Ele ressalva, porém, que as pessoas físicas precisam ter cuidado para que o empréstimo não se torne uma bola de neve. "Com a devida cautela, pode-se utilizar o crédito para uma despesa maior. O importante é que, ao receber o salário, se separe a parte destinada à quitação e, se possível, algum valor também para investir/poupar".

Potencial de crescimento do mercado mobiliário

"Observamos que o mercado de ações vem subindo nos últimos três anos. Porém, se analisarmos a bolsa tendo o dólar como valor básico, veremos que ela ainda está bem descolada do topo histórico", analisa o sócio da Messem. Para ele, "há muito potencial de crescimento, inclusive pelo fato de os investidores estrangeiros ainda não terem entrado. Nossa estimativa é de um movimento crescente".

Está ocorrendo nos últimos meses um movimento mais forte de IPO (Oferta Pública Inicial), tendência que deverá manter-se. "As empresas estão abrindo o capital para captar recursos, o que deve acentuar-se num cenário de juros mais baixos", ressalta Thiago, concluindo: "Tivemos a aprovação da reforma da previdência, o que pode fazer com que os investidores passem a enxergar o Brasil com melhores olhos. A agenda prevista, que inclui as reformas administrativa e tributária, também deverá favorecer o crescimento do mercado".
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Postado por Fernando Lagreca

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