Água do Mar nos Olhos marca estreia de Wado na literatura


                                             

O livro Água do Mar nos Olhos lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos marca a estreia do cantor e compositor Wado na literatura. A obra selecionada por edital público, em 2017, reúne todas as poesias das letras das músicas de autoria do artista, criadas ao longo dos 17 anos de carreira musical, interpretadas por ele em nove discos gravados.
A poética de Wado apresenta temática rica e diversa que aponta para o artista inquieto, em constante transformação. Se de um lado os seus versos celebram a contribuição da comunidade afro-brasileira na cultura do país, do outro também denunciam o racismo e a desigualdade vividos pela população preta. Se de um lado discorre, com leveza, sobre a alegria e o amor, também canta sobre sentimentos de desilusão, desencontros e solidão.
Entre os parceiros nas composições musicais acumulados ao longo de quase duas décadas estão Mia Couto, Zeca Baleiro, Chico César, André Abujamra e Momo, sem deixar de mencionar os  alagoanos Adriano Siri, Alvinho Cabral e Glauber Xavier.
Além das reflexões políticas, sociais e existenciais da obra poética do Wado, este livro também apresenta um pouco da sua produção como artista visual.  Seu traço criativo traz elementos presentes na sua música, como a malícia, o humor e a ironia, além de uma forte inspiração na pop art e na arte urbana.
O livro predominantemente confeccionado em papel kraft , muito usado pelo próprio Wado em seu processo de criação, apresenta 29 desenhos selecionados, feitos ao longo dos últimos 20 anos em cadernos de anotações e molesquines. Água do Mar nos Olhos apresenta também sete galerias, em papel couchê, com 25 telas da produção mais recente do Wado. O projeto gráfico da obra é assinado por Fernando Rizzotto, editor de arte da Imprensa Oficial Graciliano Ramos.
“Estou muito feliz de ter esse livro publicado, muito mesmo, pelo documento de carreira que ele é. Mas não sinto que seja o primeiro, por conta das ilustrações que fiz para a obra infantil A Ilha de Laura, assinada pela escritora Amanda Prado. Me sinto mais como homenageado e sinto muito esse livro como um material de arte contemporânea”, afirma Wado, mencionando um livro que conta com ilustrações suas, publicado em 2015, pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, na coleção Coco de Roda.  
Apesar de todas as vertentes criativas que vem sendo reveladas pelo artista, unindo música, pintura e literatura, Wado nega qualquer tipo de hiperatividade. “Acho que este momento é de colheita de frutos, parece que estou envolvido em diversos projetos ao mesmo tempo, mas não é tanto. Tudo isso é mais fruto do acúmulo das coisas feitas em 17 anos que geraram essas coisas todas”, diz, modestamente, durante uma das sessões de gravação do seu novo disco Precariado.

E realmente Wado não para. Em julho ele embarca para Portugal onde realizará show do novo disco e em novembro próximo há um novo livro com lançamento previsto pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. De seus inseparáveis molesquines emergiu outra obra chamada Caderno de Anotações, também selecionada por edital este ano.
Neste futuro livro os fãs do Wado encontrarão diversas ideias, construções, jogos mentais e letras de canções mudas que permitem descobrir como se dá o processo criativo do artista. “Tem muitos dos insights e das ideias que passam pela minha cabeça. Meu amigo Vitor Peixoto disse que é um livro de aforismos, talvez seja”, conta.
Segundo Wado a ideia do próximo livro partiu do hábito saudável de anotar as coisas em pequenos cadernos de anotações. “Não vivo sem os pequenos molesquines. Sem eles nem meus livros, nem as canções que faço para pagar as minhas contas existiriam”, afirma, mencionando que nesta próxima obra será possível perceber as influências literárias de Neil Gaiman, João Paulo Cuenca e Marcelo Mirinsola.

Mais informações: Patrycia Monteiro – 82 98883-7609 (Whatsapp)

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Escrito por silvioromerojornalista

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