Ensino Superior conquista público mais velho no Brasil

Foto: Silvio Marques

Em 2002, a porcentagem de brasileiros empregados com 50 anos ou mais era de cerca de 18%, e, dez anos depois, esse número passou para aproximadamente 22%. Em 2016, o IBGE registrou 26,3% dos idosos empregados. Mas falta qualificação. Apenas 11,2% dos brasileiros entre 55 e 64 anos possuem Ensino Superior, segundo dados do Ministério da Educação (MEC - EAG 2016/OCDE). 

Nos Estados Unidos, esse número ultrapassa os 40%. "Isso significa que há um grande mercado a ser explorado pelas universidades brasileiras", afirma o pró-reitor acadêmico da Universidade Positivo (UP), Carlos Longo. Na vida adulta, a obrigação com a família é uma das razões para adiar o retorno às aulas. Perto da terceira idade, essas responsabilidades diminuem: os filhos estão criados e a disponibilidade de tempo geralmente é maior. 

Com mais disposição para investir e fazer planos de vida, a entrada do público idoso nas universidades começou a ser observada com mais força a partir do início da década passada. De um total de três milhões de estudantes do Ensino Superior no Brasil que ingressaram na universidade em 2001, por exemplo, cerca de 11 mil já eram de alunos com 50 anos ou mais, segundo o Censo da Educação Superior. 

O acesso à internet também tem aproximado a terceira idade do Ensino Superior. Aos 69 anos e moradora do Estado do Pará, Lídia de Barros Braga conseguiu concluir o curso de Psicopedagogia da Universidade Positivo, com sede em Curitiba, graças à Educação a Distância (EAD). “Com a possibilidade de fazê-lo online, abracei ao curso com muito gosto, mesmo não tendo muita habilidade na compreensão de TI, que para mim é um desafio”, contou Lídia. “O curso ampliou minha visão de mundo”, acrescenta. Lídia faz parte de um público da terceira idade que incorporou a internet à rotina de vida. Uma pesquisa nacional do IBGE apontou que, entre 2005 e 2011, o grupo de pessoas acima dos 50 anos foi o que mais cresceu no acesso à internet. 

O estudo apontou incremento de 222,3%, no período de seis anos, por parte do público acima de 50 anos. Mais de 5,6 milhões de pessoas nessa faixa etária passou a usar a web nas suas atividades cotidianas. "Hoje, tudo acontece online. Você se comunica, compra, vende, se informa. Então, por que estudar online não pode ser também uma opção? A educação a distância cresce cada vez mais, com resultados superiores a presencial em várias áreas de ensino", destaca a coordenadora da Graduação em Pedagogia da UP, Josemary Morastoni. 

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam um aumento de 2,2% no número de matriculados no EAD, de 2015 a 2016, um total de 843.181 alunos do ensino superior a distância. “A Educação a Distância vem na esteira do avanço da tecnologia, fazendo com que as pessoas com mais de 60 anos possam se atualizar no uso de novas ferramentas para adquirir conhecimento”, afirma a coordenadora de EAD da Universidade Positivo, Kátia Ethienne dos Santos. "Pela comodidade proporcionada ao aluno, que pode acessar todo o conteúdo do seu computador de casa, o EAD surge para essa parcela da população brasileira como uma oportunidade natural para quem quer voltar à universidade ou ter a chance de fazer um curso superior pela primeira vez", completa. 

Universidades privadas são o alvo 

Os números mostram que os estudantes com mais de 50 anos encontram mais espaço nas universidades privadas. Uma das explicações para a situação é que esse público não tem disposição para se dedicar à preparação necessária a fim de enfrentar a concorrência por uma vaga nas universidades públicas. No vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2016, por exemplo, dos 810 inscritos com mais de 41 anos, apenas 100 conquistaram uma vaga. Carlos Longo justifica que é mais fácil para esse público estudar numa instituição privada até mesmo pelo fato de já estarem no mercado de trabalho e sustentarem suas próprias despesas. 

“Nos momentos mais turbulentos da economia, é o público da terceira idade que responde pela menor taxa de inadimplência nas universidades. É um público que tem poder de compra, independente da crise econômica ou mudanças no financiamento estudantil", conta. O poder de compra de pessoas com mais de 60 anos de idade chega hoje a R$ 2,4 bilhões por ano, no Brasil.
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Escrito por Equipe Redação

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