Surge uma nova Salvador Além do Carmo




As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Luís de Camões

Luís de Camões, grande poeta português, bem que poderia ter sido um profeta. Mas, nem em seus melhores versos imaginou uma Salvador edificada e tão sublime. Um exemplo é o bairro Santo Antônio Além do Carmo.

Reduto de artistas plásticos, escritores e músicos é um dos bairros mais antigos da capital baiana.

Dividido entre a atmosfera cosmopolita e a preservação da cultura popular, o bairro está situado entre o Pelourinho e o Barbalho e o cenário do seu largo assemelha-se ao de uma cidade do interior, com uma paróquia, um coreto e uma praça.

O marchand, fotógrafo e colecionador de arte francês Dimitri Ganzelevitch é morador do Santo Antônio desde 1975. Nestes quase 40 anos acompanhou de perto a evolução do bairro. "Quando eu cheguei aqui as casas estavam à venda e ninguém queria comprar. Não havia especulação, porque antigamente ninguém queria morar aqui. E hoje é um dos bairros mais cobiçados da capital", conta.


Marchand, fotógrafo e colecionador de arte francês Dimitri Ganzelevitch é morador do Santo Antônio há quase 40 anos 

Proprietário da casa-museu Solar Santo Antônio, Dimitri avalia que o bairro obedeceu a uma dinâmica ascendente e constante ao contrário do Centro Histórico de maneira geral. O ponto de maior crítica do artista é certamente a omissão do poder público no que se refere à manutenção do região, tombada como patrimônio da humanidade pela UNESCO, a pedido do próprio Governo da Bahia.

"O Centro Histórico tem 1500 imóveis abandonados. É praticamente uma pequena cidade. No mínimo cinco mil pessoas poderiam morar aqui. Portanto, além de uma injustiça social, é um prejuízo enorme, porque um centro histórico não vive só de fachadas, embora até agora a política tenha sido de restauração de fachadas e mais nada", critica Ganzelevitch.



O Santo Antônio é povoado por ateliês, pousadas, bares e restaurantes 

De acordo com o artista, o bairro do Santo Antônio, por sua vez, tem evoluído para melhor. "Talvez porque, de uma forma geral, o estado não tem metido a 'pata'. A única coisa que nós gostaríamos é que o plano inclinado [Pilar] fosse reaberto, porque realmente faz muita falta", pontua.

Dimitri conta que, nos últimos dez anos, constatou uma evolução também no perfil do morador. "Estão cada vez mais chegando aqui artistas, pintores, músicos, fotógrafos, jornalistas, arquitetos... Todo um pessoal que tem a cabeça nos ombros. Que pensa, que tem sensibilidade, que traja uma vida um pouquinho diferente, uma vida mais boêmia", observa e continua: "a vida começa a pulsar de uma forma extremamente interessante".

Entre as opções para quem frequenta o Santo Antônio, o colecionador sugere conhecer o Cafélier e apreciar a vista para a Baía de Todos os Santos desfrutando de uma boa bebida, visitar os ateliês do bairro e ir à roda de samba do Grupo Botequim, que acontece sempre nas últimas sextas-feiras do mês. Abaixo listamos estas e outras opções que movimentam a vida cultural do Santo Antônio Além do Carmo. Confira!

RESTAURANTES E CAFÉ

Café e ateliê de artes, o Cafélier é um dos lugares que não se pode deixar de conhecer ao visitar o Santo Antônio. Localizado na Rua do Carmo, n° 50, o espaço foi inaugurado no bairro em 2006, após um período de 12 anos instalado no Pelourinho. Charmosa e elegante, a decoração remete à dos cafés parisienses do século XX e as fotos de cantores como Cauby Peixoto e Bibi Ferreira são uma homenagem à Era de Ouro do Rádio.


Charmosa e elegante, a decoração do Cafélier remete à dos cafés parisienses do século XX. À esquerda, o artista e proprietário do espaço, Paulo Vaz.

"Numa xícara de café pode-se colocar a beleza do mundo",
disse Jorge Amado 

Decorada com móveis e objetos de arte antigos, a casa mantém em exposição permanente obras de artistas plásticos como Reinaldo Eckenberber, Márcia Abreu e Leonel Mattos. Aberto de quinta a terça-feira, a partir das 14h, o espaço do artista plástico Paulo Vaz é marcado ainda por uma exposição de xícaras personalizadas, cardápio variado e uma vista panorâmica para a Baía de Todos os Santos.

Construído no século XIX, o charmoso casarão com paredes de barro batido abriga o clube da cachaça, rodas de samba e choro, além de um rico acervo de móveis garimpados e customizados pelos próprios donos 


fonte iBahia
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Escrito por Mario Pinho

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