O poder do Pink Money


Homossexuais são consumidores exigentes, sofisticados e, principalmente, gastadores. 

O mercado gay, que já movimenta milhões em todo o mundo, está cada vez mais em expansão.

De acordo com o IBGE, 10% da população brasileira é composta por homossexuais – cerca de 19 milhões de pessoas. Desse total, 9,4 milhões são economicamente ativos, potenciais consumidores. Ignorá-los seria o mesmo que não dar atenção a um grupo com poder de compra e renda média individual de R$ 3.500,00.

Pesquisa realizada pela Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT), em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), na Parada Gay de São Paulo, em 2006, mostrou que a renda de homens e mulheres homossexuais são próximas, e o mercado lésbico é tão promissor quanto o mercado gay masculino. Ambos os grupos costumam gastar 30% a mais que os heterossexuais.

Gays são melhores gastadores por um motivo simples: a grande maioria não tem filhos. Por essa razão, podem consumir em benefício próprio. Outro dado: a maior parte preza a sofisticação e o conforto e, por isso, não se incomoda em pagar mais, desde que o produto ou serviço seja de qualidade. De modo geral, gays também são mais sociáveis, saem mais de casa e, por consequência, gastam mais.

Levantamento feito pela InSearch em 17 Estados brasileiros revelou o perfil econômico do gay masculino. A maioria, 39%, pertence às classes A-B; 30% à classe C; e 48% tem nível superior completo. Gays gastam 60% a mais em cosméticos e 28% a mais em itens culturais e educativos. Do total de entrevistados pela InSearch, 88% disseram ler jornais; 48% têm TV por assinatura; e 57% compram livros (média de oito por ano).

Homossexuais também não economizam na hora de viajar. De acordo com a International Gay & Lesbian Travel Association (IGLTA), o turismo gay movimenta US$ 54 bilhões por ano no mundo. Não foi por acaso que o governo do Rio de Janeiro lançou em maio a campanha internacional Come to Live the Rio Sensation, para atrair esse público. A cidade disputa com Buenos Aires o título de capital mais gay friendly da América Latina.

Mas o alto poder aquisitivo dos homossexuais ainda esbarra no preconceito. Embora as empresas brasileiras comecem a perceber a importância do chamado pink money e a investir nesse segmento, o Brasil continua bastante atrasado em relação aos Estados Unidos e a países da Europa. Só para efeito de comparação, a parada do orgulho gay de São Francisco, que reúne pouco mais de 1 milhão de participantes, é patrocinada por gigantes como Virgin, Toyota e Bank of America. Já a parada de São Paulo, a maior do mundo, com mais de 3 milhões de pessoas, só acontece porque conta com apoio governamental.

Números da SPTuris (São Paulo Turismo) comprovam a relevância da parada gay para a capital paulista. O evento atrai cerca de 400 mil visitantes e injeta quase R$ 200 milhões na economia da cidade.

Lá fora, até o McDonald’s causou polêmica ao veicular comercial na TV francesa em que mostrava o seu apoio à comunidade gay. Por aqui, aos poucos vão surgindo produtos e serviços exclusivos para a comunidade homossexual: de pacotes turísticos a lançamentos imobiliários; do “Arco-Íris Card”, da JJCL Brasil Cartões, ao Vida Freedom, seguro de vida da American Life para casais gays. É um mercado ainda em expansão, com oportunidades de negócios em diversos setores.

Em 2006, o grupo de comunicação e marketing Witeck-Combs estimou o poder de compra só dos gays norte-americanos em US$ 641 bilhões. Para 2011, segundo o mesmo grupo, esse valor deve chegar a US$ 835 bilhões. No Brasil, não há estimativas de quanto os gays movimentam financeiramente. Mas, com base em sua renda média individual e na fama de bons gastadores, é possível arriscar ao menos um palpite: não é pouco.

Fontes: IBGE, APOGLBT, InSearch, IGLTA, SPTuris, Witeck-Combs.
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Escrito por Mario Pinho

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